Trovadorismo – O que é, Características e resumo - Arena Marcas e Patentes
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Trovadorismo – O que é, Características e resumo


TROVADORISMO – O que é, Características, cantigas, contexto histórico, trovadorismo e humanismo, Principais autores e Resumo 

Sumário do Artigo a seguir:

  • O que é Trovadorismo?
  • Trovadorismo Características
  • Trovadorismo Cantigas
  • Trovadorismo e Humanismo
  • Principais autores do trovadorismo
  • Exercícios sobre Trovadorismo
  • Resumo

O que é Trovadorismo ?

É impossível contar a história de um povo, de um local ou mesmo de uma época sem tratar sobre o momento intelectual que a regia, quais eram as correntes filosóficas que influenciavam seu pensamento e como se dava a produção artística e literária naquele momento.

Da mesma forma, é impossível contar a história de um movimento ou escola artística sem se falar do contexto histórico em que ela nasceu e se desenvolveu.

São dois elementos que caminham lado a lado e ajudam a perpetuar e a conhecer melhor a história da trajetória humana ao longo dos tempos.

Nesse sentido, é muito importante entender os movimentos artísticos para compreender a história e muito importante compreender o contexto histórico para entender os movimentos artísticos.

O movimento que trataremos aqui é um movimento literário, o Trovadorismo e, para começar a pensar sobre ele, é importante entender como e quando ele surgiu, como se desenvolveu e como entrou em decadência no cenário europeu.

Trovadorismo – Contexto Histórico

Contexto Histórico Trovadorismo

O trovadorismo é tido como a primeira manifestação de um movimento literário da língua portuguesa. Sua data de início é um tanto incerta, uma característica marcante desse período, mas estima-se que tenha começado entre os século XI e XII.

É uma característica não saber precisar dados do que acontecia nessa época, pois essa era a chamada Idade Média no Continente Europeu.

A Idade Média, também conhecida como Idade das Trevas foi o período compreendido entre os séculos V e XV dentro do que hoje se compreende como o continente europeu. Esse período recebe essa denominação por ter sido marcado como um momento histórico de pouco desenvolvimento técnico e científico, de controle da informação e de subjugação entre classes sociais muito bem definidas.

Para compreender melhor a Idade Média é interessante compreender o significado de alguns termos básicos. Primeiro é interessante compreender que o continente europeu passava por um momento em que o Império Romano, depois de conquistar basicamente todo o continente, caiu e deu origem a vários reinos diferentes.

Uma das causas da queda de Roma foram os ataques dos chamados povos bárbaros, tidos como uma ameaça à civilização romana por terem uma cultura completamente diferente. No momento da queda de Roma e da possiblidade de invasão bárbara, os reinos europeus decidiram se fechar e estabeleceram uma série de políticas nesse sentido.

Os reinos foram divididos em pequenas porções de terra nomeadas de feudos. Os feudos eram cedidos pelos reis aos seus homens de confiança, que eram nomeados senhores feudais. Esses senhores feudais podiam destinar porções de seu território a quem desejasse e se estabelecia assim uma relação conhecida como vassalagem. O vassalo era fiel ao seu senhor feudal em um pacto de fundamentação religiosa.

A estrutura social do feudalismo medieval se baseava em uma lógica de classes bastante rígida e com quase nenhuma possibilidade de ascensão social. Isso qualificava a sociedade medieval como estamental, ou seja, dividida em estamentos.

Esses estamentos eram basicamente três: os nobres, o clero e os servos. Os nobres eram membros da coroa e do exército (cavaleiros), o clero eram membros da igreja e os servos eram os camponeses, responsável por toda a forma de trabalho dentro dos feudos, ainda pagavam os impostos que sustentavam as duas classes dominantes.

Nesse cenário, um ponto que interessa bastante para nossa compreensão do contexto é entender a função do clero na sociedade medieval. Em um cenário de clara concentração de poderes políticos e econômicos e uma dinâmica social extremamente repressiva, a religião tinha um papel central para que a servidão compreendesse o seu sacrifício como uma predestinação divina e que eles nada poderia fazer para alterá-la.

É nesse sentido que o clero atuava como um forte elemento persuasivo para manter a ordem social vigente. O Deus da Idade Média era um pintado como Deus punitivo, severo e que causava temor na servidão, que deveria acatar todas as recomendações eclesiásticas sob a pena de viver a eternidade no inferno.

A Igreja também concentrava toda a informação para si, a imensa maioria dos servos era analfabeta e as missas eram celebradas em latim, ou seja, nenhum servo poderia compreender o que estava sendo dito. Era um domínio completo das propriedades intelectuais e é por esse motivo que esse período é também compreendido como a Idade das Trevas, principalmente em seus primeiros séculos, também conhecidos como a Alta Idade Média.

Vale ressaltar então que a visão do homem era de um ser pecador e imperfeito e deveria, portanto, buscar a salvação dentro da Igreja, a casa de Deus, a imagem do soberano e perfeito. A Igreja era a instituição mais rica e poderosa da Idade Média, sendo detentora de dois terços de todas as terras dentro da Europa naquele período.

Bom, o Trovadorismo começa já nos séculos XI e XII, período compreendido como a Baixa Idade Média, ou uma espécie de início do declínio do cenário explicado anteriormente.

Apesar de ainda estamental e teocêntrica (teocentrismo= Deus como centro de todo o pensamento filosófico), existem dois momentos que marcaram o contexto do Trovadorismo: as Cruzadas e a Peste Bubônica.

As Cruzadas, ou Guerras Santas, foram os movimentos de exércitos cristãos europeus em direção ao leste, em busca da conquista de Jerusalém, terra santa para as três religiões abraâmicas. Nesse esforço de conquista importantes intercâmbios culturais foram feitos com os povos orientais e foram importantes para o início da abertura do sistema feudal.

A Peste Bubônica foi uma epidemia que matou um terço de toda a população europeia no século XIV, e acabou por enfraquecer o sistema político e econômico vigente.

Bom , ficando entendidos os conceitos básicos do período medieval, é mais simples compreender as características e a razão de ser do trovadorismo, que será o tema central do texto daqui para a frente!

Trovadorismo Características

O trovadorismo foi a corrente literária portuguesa durante a baixa Idade Média, tendo seu início datado por volta dos séculos XI e XII.

Sua característica central é que a produção literária do trovadorismo se dava a partir de um modelo de texto conhecido como cantiga.

As cantigas eram escritas em uma língua conhecida como “galego-português”, uma espécie de mistura do português arcaico com a língua que conhecemos hoje, lembrando que a língua é uma estrutura viva, que passa por modificações a todo tempo e estamos tratando da produção literária de cerca de mil anos atrás.

Outra característica dessas cantigas é ter sua transmissão realizada através da tradição oral. Lembrando que a grande maioria da população da época era analfabeta, portanto uma tradição escrita dificilmente seria popularizada.

As cantigas eram cantadas, portanto, tinham um ritmo próprio e eram acompanhadas por instrumentos como as violas de arco, cítaras, flautas, alaúdes, andeiros, saltérios e gaitas.

A produção das cantigas do Trovadorismo era feita por várias classes diferentes de artistas com várias pessoas com funções específicas. Haviam os trovadores, os segréis, os jograis, os menestréis e as soldadeiras.

Os trovadores eram membros da alta nobreza, dotados de capacidades musicais e de escrita, responsável por escrever as cantigas; os segréis eram nobres de menor escalão, também escreviam e cantavam cantigas; Os jograis eram compositores e cantores de um escalão ainda inferior; os menestréis eram apenas os intérpretes de cantigas compostas por outras pessoas; as soldadeiras eram as mulheres que acompanhavam os jograis.

A Cantiga da Ribeirinha, composta por Paio Soares de Taveirós é o primeiro registro de uma produção do trovadorismo, data do fim do século XII e é considerada o marco inicial da Literatura Portuguesa.

Trovadorismo Cantigas – Tipos de Cantigas

Trovadorismo Cantigas

Basicamente as cantigas são divididas em dois grandes grupos, as Cantigas Líricas e as Cantigas Satíricas, como veremos nos próximos tópicos:

– Cantigas Líricas:

As cantigas líricas são divididas entre as Cantigas de Amor e as Cantigas de Amigo. Ambas as formas de cantigas líricas têm em comum a ideia de enaltecer, homenagear alguém.

– Cantigas Satíricas

As cantigas satíricas são divididas entre as Cantigas de Escárnio e as Cantigas de Maldizer. Ambas as formas de cantigas satíricas têm em comum um lado crítico, que busca ironizar alguns aspectos da vida cotidiana portuguesa no contexto da Idade Média.

 

Cantigas de Amor: Características

– As cantigas de amor são sempre narradas por um personagem masculino, ou seja, o eu lírico é sempre um homem.

– Existe a presença da chamada coita amorosa, uma lógica de relação de sofrimento entre o homem (eu lírico) e sua amada.

– A dama está sempre em uma posição de superioridade em relação ao eu lírico, muitas vezes o motivo da coita amorosa. É uma paixão infeliz, o amor não é correspondido.

– São marcadas pelo convencionalismo, um amor cortês, no ambiente palaciano, alto escalão social.

– As cantigas de amor têm origem provençal (região no sul da França), portanto ainda carregam algumas influências da língua francesa.

– A Cantiga da Ribeirinha é um exemplo de cantiga de amor.

– EXEMPLO de Cantiga

Cantiga de amor de Bernardo de Bonaval

 

“A dona que eu amo e tenho por Senhor

amostra-me-a Deus, se vos en prazer for,

se non dade-me-a morte.

 

A que tenh’eu por lume d’estes olhos meus

e porque choran sempr(e) amostrade-me-a Deus,

se non dade-me-a morte.

 

Essa que Vós fezestes melhor parecer

de quantas sei, a Deus, fazede-me-a veer,

se non dade-me-a morte.

 

A Deus, que me-a fizestes mais amar,

mostrade-me-a algo possa con ela falar,

se non dade-me-a morte.”

– Cantigas de Amigo: Características

– Trata-se da relação amorosa entre camponeses.

– As cantigas de amigo são sempre narradas por um personagem feminino, ou seja, o eu lírico é sempre uma mulher. Apesar de não serem compostas por uma mulher.

– A saudade é tida como um tema central nas cantigas de amigo. Trata-se do ponto de vista feminino do amor (à época), a mulher com saudade do homem que está ausente.

– Nas cantigas de amigo o amor não é impossível, podendo se concretizar, é um amor real.

– As cantigas de amigo têm sua origem na península ibérica (mais popular).

– Tem um ritmo mais marcado que as cantigas de amor.

– EXEMPLO de Cantiga:

Cantiga da amigo de D. Dinis

 

“Ai flores, ai flores do verde pino,

se sabedes novas do meu amigo!

ai Deus, e u é?

 

Ai flores, ai flores do verde ramo,

se sabedes novas do meu amado!

ai Deus, e u é?

 

Se sabedes novas do meu amigo,

aquel que mentiu do que pôs comigo!

ai Deus, e u é?

 

Se sabedes novas do meu amado,

aquel que mentiu do que mi há jurado!

ai Deus, e u é?”

Cantigas de Escárnio: Características

– As críticas eram feitas de forma indireta, através de recursos como a ambiguidade

– O escárnio é feito através de ironias e trocadilhos.

– Na maioria das vezes fazem críticas e zombam dos comportamento dos nobres, criticam e denunciam mulheres que não seguem as regras do amor cortês (convenções sociais do relacionamento).

EXEMPLO de Cantigas

Cantiga de Escárnio de João Garcia de Guilhade

 

“Ai dona fea! Foste-vos queixar

Que vos nunca louv’en meu trobar

Mais ora quero fazer un cantar

En que vos loarei toda via;

E vedes como vos quero loar:

Dona fea, velha e sandia!

 

Ai dona fea! Se Deus mi pardon!

E pois havedes tan gran coraçon

Que vos eu loe en esta razon,

Vos quero já loar toda via;

E vedes qual será a loaçon:

Dona fea, velha e sandia!

 

Dona fea, nunca vos eu loei

En meu trobar, pero muito trobei;

Mais ora já en bom cantar farei

En que vos loarei toda via;

E direi-vos como vos loarei:

Dona fea, velha e sandia!”

 

Cantigas de Maldizer: Características

– As cantigas de maldizer trazem as críticas de forma direta, explícita, identificando a pessoa que está sendo alvo da sátira.

– Tem a intenção clara de difamar.

– Fazem uso de linguagem ofensiva e de palavras de baixo calão.

– Era comum que as cantigas de maldizer tivessem como alvo os relacionamentos amorosos de membros do clero e da nobreza.

– EXEMPLO:

Cantiga de maldizer- Afonso Eanes de Coton

 

Maria Mateu, daqui vou desertar.

De cona não achar o mal me vem.

Aquela que a tem não ma quer dar

e alguém que ma daria não a tem.

Maria Mateu, Maria Mateu,

tão desejosa sois de cona como eu!                                              

 

Quantas conas foi Deus desperdiçar

quando aqui abundou quem as não quer!

E a outros, fê-las muito desejar:

a mim e a ti, ainda que mulher.

Maria Mateu, Maria Mateu

tão desejosa sois de cona como eu!

Principais autores do Trovadorismo

As obras do Trovadorismo são bastante difusas, mas os nomes com maior relevância dentro do período são: João Soares de Paiva,

– Paio Soares de Taveirós

– Rei D. Dinis

– João Garcia de Guilhade

– Afonso Sanches

– João Zorro

– Aires Nunes

– Nuno Fernandes Torneol.

Trovadorismo e Humanismo

Trovadorismo e Humanismo

A corrente do Humanismo muitas vezes se confunde com a do Trovadorismo. Isso porque as duas marcaram um período de transição entre a Idade Média e o Renascimento e foram relevantes para uma mudança no pensamento da população, principalmente por deixar de se basear no teocentrismo (Deus como o centro filosófico) para se basear no pensamento antropocêntrico (o homem como figura central e dono de suas ações).

O Humanismo tem uma postura um pouco mais voltada à ciência que o Trovadorismo, que ainda carrega mais marcas do período medieval.

A literatura do Humanismo vai rebuscar conceitos greco-romanos e isso a difere do Trovadorismo. São grandes expoentes do humanismo Dante Alighieri, autor da Divina Comédia, Giovanni Bocaccio, Francesco Petrarca e Gil Vicente.