Arcadismo – O que é, Contexto Histórico, Autores - Arena Marcas e Patentes
  • Registro de Marcas e Patentes.

Arcadismo – O que é, Contexto Histórico, Autores


O que é arcadismo ?

A história do mundo passa por grandes mudanças de tempos em tempos. As ordens vigentes, por mais tempo que perdurem como o modelo padrão, não duram para sempre.

Essa regra vale para todos os âmbitos imagináveis dentro do contexto da organização humana em civilizações.

Na economia, os modelos se alteram, se moldam às novas formas de produção, às descobertas de novas técnicas, métodos e conceitos científicos. Estando também sempre sujeitos aos modelos sociais e como eles estão sujeitos à essa realidade econômica.

No aspecto social, valem as mesmas premissas citadas em relação à economia, as pessoas vão tendo novas formas de se conscientizar e enxergar o mundo de acordo com o seu desenvolvimento e, a cada geração já é um pouco diferente da anterior.

Não seria diferente do ponto de vista artístico e cultural. Aliás, a arte possui uma linha do tempo que pode muito bem ser utilizada para entendermos melhor os processos de transformação da sociedade, como se deu essa situação e como se dava a vida cotidiana e intelectual do período em questão.

Este texto irá falar sobre o movimento do Arcadismo, ou Neoclassicismo e, para entendermos melhor esse cenário, é importante conhecer o contexto histórico em que se deu seu surgimento e consolidação.

Arcadismo – Contexto Histórico

O Arcadismo é uma corrente literária de meados do século XVII. Ela sucede enquanto corrente literária e artística hegemônica, a estética barroca.

Começamos o texto falando sobre transformações, pois é justamente o que o arcadismo promove em relação ao Barroco, uma profunda alteração ao pensamento, a técnica que as ideias que moviam a produção literária daquele momento.

Mas essa transformação não acontecia porque os artistas neoclássicos ou arcadistas eram extremamente rebeldes e revolucionários e queriam quebrar completamente a ordem estética vigente.

Todas as mudanças promovidas pelo Arcadismo têm sua raiz no momento em que a corrente se consolidou ao redor do mundo. Vamos então a um breve contexto sobre a situação do mundo ocidental durante o século XVIII!

Um dos principais pontos a serem ressaltados é a explosão da primeira Revolução Industrial no fim do século XVIII na Europa, mas principalmente na Inglaterra. Essa revolução significou o início da produção fabril em largas escalas e um intenso movimento de êxodo rural, cidades cada vez mais cheias e caóticas (uma espécie de início da história das grandes cidades modernas). Todo esse cenário de caos urbano será de profundo impacto para o movimento arcadista, como veremos mais à frente.

Outro importante ponto de intensa transformação do século XVIII foi o surgimento e disseminação da filosofia iluminista. Esse fenômeno deu ao século XVIII a aura de “Século das Luzes”. Os pensadores iluministas deram uma nova perspectiva ideológica ao mundo ocidental, colocando um pensamento racional e sociologicamente responsável em voga. Muitos dos pontos como a divisão dos poderes e a ideia de direitos humanos, até hoje utilizadas pela maioria dos países democráticos do mundo advém desse cenário.

Ao redor do mundo, o pensamento da filosofia iluminista motivou grandes revoluções não apenas na forma de pensar, mas revoluções de fato, que alteraram a ordem política vigente de forma a romper com laços com a estrutura de poder antiga de forma definitiva.

Os principais exemplos de insurgências populares que beberam nas fontes iluministas foram a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos da América em relação ao Império Britânico.

Bom, já passamos pelo contexto europeu e pela formação dos Estados Unidos da América independentes. É hora então de chegar ao Brasil e entender como esses movimentos do século XVIII afetaram as terras tupiniquins.

O primeiro ponto a ser levantado e que marcou esse século na história do Brasil foi a descoberta de metais e pedras preciosas na capitania, hoje estado, das Minas Gerais.

Os portugueses que sempre sonharam em encontrar metais preciosos em suas colônias fracassaram durante dois séculos enquanto via sua vizinha, a Espanha, encontrar esses recursos em abundância nas suas colônias americanas.

Eis que a descoberta de metais preciosos, principalmente o ouro se deu em Minas Gerais. A exploração foi imediata e o governo português imediatamente elaborou maneiras de exercer seu poder de metrópole sobre o território mineiro.

Vários impostos abusivos, dentro deles o quinto e a derrama, passaram a ser cobrados pelos portugueses que, embora se esforçassem em obter o domínio econômica da região, não conseguia conter o fluxo enorme de pessoas de todo o Brasil para cidades como Vila Rica, hoje Ouro Preto.

Esse cenário de grande movimentação financeira trazia milhares de forasteiros todas as semanas à Minas Gerais e também influenciava no cenário artístico e intelectual da região que foi se desenvolvendo para se tornar o que seria o grande polo da literatura arcadista no Brasil, mas isso veremos mais à frente.

Nesse contexto, alguns fatores começaram a esquentar a relação entre a Coroa Portuguesa e os colonos. O ouro encontrado de forma mais superficial e de fácil extração começou a ficar escasso, mas o governo da metrópole precisava cada vez mais por ter de pagar dívidas internacionais motivadas por uma balança de comércio desfavorável e por um desastre ocorrido em 1755, quando um forte terremoto destruiu completamente a capital Lisboa.

Portugal passou a cobrar o quinto (imposto que consistia no pagamento de 20% de todo o ouro encontrado na colônia à Coroa) com mais afinco e estipulou a derrama, um imposto que consistia em cobrar outros impostos atrasados até atingir um valor mínimo, sendo os devedores sujeitos a confiscos de bens materiais pessoais.

Nesse sentido se deu a Conjuração Mineira (também conhecida como Inconfidência Mineira), movimento republicano, de caráter burguês, buscando a independência de Minas Gerais em relação à Portugal, mas que nunca chegou a acontecer, por ter sido delatada antes de sua ocorrência. Ainda assim, os ecos da Conjuração foram muito importantes para entender o Arcadismo no Brasil, como veremos a seguir.

Arcadismo – Características

É interessante perceber nas características principais do Arcadismo como elas se opõem de forma intensa à ideia prevalecente no período barroco. Vamos conferir esses pontos e perceber como o movimento arcadista surgiu alterando a ordem artística anterior:

– A busca pela simplicidade era um dos principais pontos sugeridos e desejados pelos artistas arcadistas. Uma grande diferença se comparado ao Barroco, que buscava sempre tratar de relacionar temas opostos, com uma estética exagerada e uma grande contraposição de elementos. No Arcadismo a ideia era eliminar esses exageros, buscar o simples, de forma objetiva, o equilíbrio, a amenidade.

– Um dos pontos centrais da obra dos artistas arcadistas era a tentativa de aproximação com a natureza, como uma estrutura simples e que deveria coexistir de forma agradável com a humanidade.

– Um dos motivos do arcadismo também ser conhecido como Neoclassicismo é justamente o fato de ter um esforço marcado em buscar as tradições artísticas e intelectuais da antiguidade clássica, Roma e Grécia antigas. A busca pela simplicidade, pela matemática e pela perfeição objetiva. Um dos principais sintomas dessa busca é a utilização de vários termos em latim e grandes expoentes da literatura greco-romana.

– A literatura arcadista é marcada pela ausência da subjetividade, ou seja, não existe a manifestação de sentimentos como ponto central, não existe a figura do “eu”, tão central nos conflitos internos que guiavam a estética barroca.

– A representação do amor no arcadismo era feita de forma galante, sem exageros e seguindo uma série de requintes de simplicidade e respeito.

– O bucolismo é uma das características mais importantes e definidoras do movimento arcadista. Bucolismo é uma forma de se referir ao rural, à natureza campestre, de uma forma próxima a ingenuidade, que remete à pureza, paz, tranquilidade. O arcadismo buscava aproximar a figura humana da natureza em um sentido harmônico.

– Ainda relacionado à ideia do campo, o pastoralismo é uma outra característica marcante da estética arcadista. Nome “pastoralismo” faz referência à ideia de pastor de ovelhas e remete novamente ao bucolismo.

Expressões clássicas do Arcadismo

Como foi dito em relação ao resgate das tradições das civilizações clássicas, o arcadismo buscou uma forte reaproximação com as culturas greco-romanas. Uma das principais formas de se perceber essa relação é elencando algumas expressões em latim que foram usadas como lemas pelos artistas arcadistas. Vejamos algumas delas:

– Locus amoenusA expressão significa “local agradável” e é mais uma oposição ao cenário urbano. A ideia de espaço descrita neste texto quando foi feita referência ao cenário das cidades dentro do contexto da Revolução Industrial era o oposto do que buscavam os arcadistas, que tinham o campo como o ideal de ambiente simples e equilibrado, com a estética adequada à arte arcadista.

– Fugere urbem: A expressão significa “fugir da cidade”. A ideia é bem parecida com o que foi explicado na expressão anterior. Reitera a ideia de que a cidade não é um ambiente natural para a convivência saudável.

– Inutilia truncat: A expressão significa “interromper o inútil”, ela revela a ânsia de se truncar o exagero, o excesso de informação e os esforços considerados inúteis. Todas as características que simbolizavam o movimento barroco, por exemplo. O arcadismo buscava esses ideais com a intenção de ser o mais objetivo o possível, usar da simplicidade como forma artística.

– Carpe diem: A expressão significa “aproveitar o dia” e talvez seja a mais conhecida dentre as listadas. Ela representava a vida na perspectiva simples e cotidiana do arcadismo, devendo ser aproveitada em cada momento.

Arcadismo no Brasil

O Arcadismo no Brasil representou um fechamento no chamado “ciclo literário”. Todo ciclo literário é formado por três elementos principais. São eles a obra, o autor e o leitor.

Até o século XVIII e a popularização do Arcadismo, o ciclo literário brasileiro sentia falta da figura do leitor como instituição consolidada, pois a população nacional era quase toda analfabeta e a produção literária no país não tinha profundidade de disseminação entre os brasileiros.

A partir do grande desenvolvimento econômico e intelectual proporcionado pela exploração de metais e pedras preciosas, as pessoas começaram a se alfabetizar em uma proporção maior e esse ciclo foi sendo progressivamente fechado. Isso influenciou muito no conhecimento da obra literária produzida nesse período no Brasil.

Tipos de Textos

Existem, basicamente, dois tipos de produção literária no arcadismo, a produção lírica e a produção épica.

A produção lírica elencava os fatores característicos elencados anteriormente no tópico “Arcadismo: caracterísitcas”.

Já a produção épica tinha características de contar uma grande história, com jornadas de heróis, como o próprio nome sugere.

Principais autores do Arcadismo

– Cláudio Manuel da Costa

– Tomás Antônio Gonzaga

– Basílio da Gama

– Santa Rita Durão

Exercícios sobre Arcadismo

O arcadismo não é uma das escolas literárias mais cobradas em provas de vestibular, mas não é incomum que uma questão trate dessa temática. Portanto, é bom estar com o tema afiado, para isso, separamos algumas questões:

  1. (UFRS) Assinale a alternativa correta em relação a Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga.
  2. a) No livro, é estabelecido um contraste entre a paisagem, bucólica e amena, e o cenário da masmorra, opressivo e triste.
  3. b) Trata-se de um conjunto de cartas de amor, enviadas por Marília, de Minas Gerais, a Dirceu, que se encontra em Moçambique.
  4. c) Na obra, o pensamento racional é anulado em favor do sentimentalismo romântico.
  5. d) Nas liras de Gonzaga, Marília é uma mulher irreal, incorpórea, imaginada pelo pastor Dirceu.
  6. e) Trata-se de um livro satírico, carregado de termos pejorativos em relação às convenções da época.

2) (Cescem) – O Arcadismo, didaticamente, inicia-se, no Brasil, em 1768:

  1. a) com a fundação de Arcádia de Lusitana.
  2. b) com a publicação de poemas de Cláudio Manuel da Costa (em Lisboa) e pela fundação da Arcádia Ulissiponense.
  3. c) com a publicação dos poemas de Cláudio Manuel da Costa (em Lisboa) e pela fundação da Arcádia Ultramarina.
  4. d) pela vinda da família real para o Brasil.
  5. e) nenhuma das anteriores.

 

3) (Cescea) – “A poesia parece fenômeno mais vivo e autêntico (…) por ter brotado de experiências humanas palpitantes”. (Ele) “é dos raros poetas brasileiros, certamente o único entre os árcades, cuja vida amorosa importa para a compreensão da obra.”

“O lírico ouvidor soltava os seus amores em liras apaixonadas, que tinham, naquele ambiente de Vila Rica, um sabor novo e raro.”

Assim a crítica literária tem-se manifestado sobre o poeta:

  1. a) Cláudio Manuel da Costa
  2. b) Tomás Antônio Gonzaga c) Alvarenga Peixoto
  3. d) Gonçalves de Magalhães
  4. e) Basílio da Gama

 

4) (UNICAMP) Nos dois poemas a seguir, Tomás Antônio Gonzaga e Ricardo Reis refletem, de maneira diferente, sobre a passagem do tempo, dela extraindo uma “filosofia de vida”. Leia-os com atenção:

 

LIRA 14 (Parte I)

 

Minha bela Marília, tudo passa;

a sorte deste mundo é mal segura;

se vem depois dos males a ventura,

vem depois dos prazeres a desgraça.

…………………………………………………………..

Que havemos de esperar, Marília bela?

que vão passando os florescentes dias?

As glórias, que vêm tarde, já vêm frias;

e pode enfim mudar-se a nossa estrela.

Ah! não, minha Marília,

Aproveite-se o tempo, antes que faça

o estrago de roubar ao corpo as forças

e ao semblante a graça.

(TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA,” Marília de Dirceu”)

 

Quando, Lídia, vier o nosso outono

Com o inverno que há nele, reservemos

Um pensamento, não para a futura

Primavera, que é de outrem,

Nem para o estio, de quem somos mortos,

Senão para o que fica do que passa –

O amarelo atual que as folhas vivem

E as torna diferentes.

(RICARDO REIS, “Odes”)

 

  1. a) Em que consiste a “filosofia de vida” que a passagem do tempo sugere ao eu lírico do poema de Tomás Antônio Gonzaga?
  2. b) Ricardo Reis associa a passagem do tempo às estações do ano. Que sentido é dado, em seu poema, ao outono?
  3. c) Os dois poetas valorizam o momento presente, embora o façam de maneira diferente. Em que consiste essa diferença?

GABARITO:

  • A
  • C
  • B

4) a) Carpe diem, aproveitar o presente. b) O declínio da vida.

  1. c) Em Gonzaga a vida está em sua plenitude, enquanto em Reis ela parte para o fim.